Um estudo técnico sobre a dinâmica do trânsito em cruzamentos com semáforos em Marau foi realizado pelo engenheiro de tráfego Rafael Ilha Viana e equipe, contratada pelo Poder Executivo. A análise concentrou-se em pontos considerados críticos, especialmente no cruzamento da Avenida Júlio Borella com as ruas Darwin Marosin e Frei Benjamin.
De acordo com o especialista, que concedeu entrevista à rádio Vang na quinta-feira (26/03), o local apresenta maior complexidade por contar com cinco aproximações viárias, além de histórico de formação de filas de veículos em horários de pico. O objetivo do trabalho foi identificar os tempos mais adequados para os semáforos, a fim de melhorar a fluidez e reduzir congestionamentos.
Para a coleta de dados, foram instaladas câmeras de monitoramento que funcionaram ininterruptamente durante uma semana. A partir das imagens, foi realizada a contagem do fluxo de veículos, o que permitiu a definição de uma média que embasou os ajustes nos tempos semafóricos.
Segundo o engenheiro, houve retorno positivo inicial em parte do cruzamento. No entanto, ajustes ainda são necessários. “Na Júlio Borella o resultado foi considerado satisfatório, mas na Darwin Marosin ainda há formação de filas em determinados horários. Esses ajustes são naturais, já que o fluxo varia ao longo do dia”, afirmou.
O estudo também integra uma tentativa de sincronização dos semáforos em cruzamentos próximos, com o objetivo de criar uma “onda verde”, sistema que permite ao condutor encontrar sinais abertos de forma sequencial ao longo da via. Conforme o especialista, a implantação depende da padronização dos ciclos semafóricos, o que pode ser dificultado pelas características específicas de cada cruzamento.
Em relação à circulação de pedestres, foi apresentado um modelo com tempo exclusivo para travessia, que poderá ser implantado futuramente. No momento, a orientação é manter o sistema atual.
O levantamento apontou ainda a intensidade diária do fluxo no local analisado:
Especialista sugere que a Avenida Júlio Borella seja de mão única
Além disso, o estudo indica que quase 14 mil veículos circulam diariamente pela Avenida Júlio Borella. Como proposta de longo prazo, o engenheiro sugeriu a possibilidade de transformar a via em mão única, medida que, segundo ele, poderia reduzir conflitos de tráfego, aumentar a segurança e melhorar a fluidez. A mudança também permitiria reorganizar o espaço urbano, com ampliação de calçadas, criação de ciclovias ou aumento de vagas de estacionamento.
O profissional ressaltou, no entanto, que a definição de sentido da via ainda depende de estudos técnicos mais aprofundados, incluindo análise de fluxo, sinalização e histórico de acidentes. Ele destacou que intervenções no trânsito devem ser cuidadosamente planejadas para evitar a transferência de problemas para outras áreas da cidade.
Atualmente, o cruzamento analisado possui cerca de 60 pontos de conflito entre veículos. Com a adoção de um sistema binário na Avenida Júlio Borella, esse número poderia ser reduzido pela metade. Por outro lado, o especialista alertou que uma eventual mudança exigiria medidas adicionais de controle de velocidade.
A entrevista completa pode ser acessada neste link.
Autor: Departamento de Jornalismo/Vang FM