A Secretaria Municipal de Educação de Marau, em conjunto com a coordenação do transporte escolar e a Associação dos Universitários Marauenses (Assuma), relatou dificuldades no uso adequado do transporte universitário disponibilizado pelo município para deslocamento até Passo Fundo.
A secretária de Educação, Francinete Oneda, o coordenador do transporte escolar, Luciano Freitag, e o representante da Assuma, Luiz Lombardi, concederam entrevista no programa Espaço Plural da rádio Vang nesta segunda-feira (30/03). Segundo eles, os principais problemas estão relacionados à falta de cadastro de estudantes e ao descumprimento dos procedimentos exigidos para utilização do serviço.
Quase dois meses após o início das aulas, parte dos universitários ainda não realizou o cadastro obrigatório junto à Assuma, condição necessária para acesso ao transporte. O cadastramento é feito pela associação, mediante apresentação de comprovante de matrícula, enquanto o município é responsável por disponibilizar os ônibus.
Após a validação das informações acadêmicas, o estudante passa a ter acesso ao aplicativo, no qual deve indicar, com antecedência, os dias e turnos em que utilizará o transporte. O sistema libera apenas os dias compatíveis com a grade curricular informada. As marcações devem ser realizadas no fim de cada mês para o período seguinte, incluindo opções de ida e volta. Em casos de aulas online, o estudante não deve registrar uso, e eventuais desistências devem ser informadas com até 24 horas de antecedência.
Segundo os responsáveis, muitos usuários não cumprem essas exigências, como portar a carteira digital no celular ou respeitar o cronograma previamente definido. Isso compromete o planejamento do serviço, que depende diretamente das informações fornecidas para definição do número de veículos em operação.
Dados apresentados pela Assuma, referentes à quarta-feira (25/03), indicam discrepâncias entre o previsto e o efetivamente utilizado. A estimativa de estudantes com aulas naquele dia era de 270. Desses, 244 registraram presença no cronograma, mas apenas 130 utilizaram o transporte.
As autoridades alertam que o descumprimento das regras pode gerar a falta ou até mesmo o excesso de ônibus, o que impacta diretamente na eficiência do serviço e no uso de recursos públicos. O município investe, em média, R$ 140 mil mensais para manter 12 linhas de transporte universitário.
Os representantes pedem a colaboração dos estudantes para o cumprimento das normas. “A gente vem aqui humildemente pedir ajuda para os próprios universitários, que façam a parte deles. Não gostaríamos de tomar outras alternativas, pois para nós é um prazer poder fornecer o transporte universitário, o dinheiro que está sendo contratado os ônibus é da população. Estamos fazendo o papel de mediadores desse serviço. Mas enquanto secretária, não posso saber que está sendo 'rasgado' dinheiro público e não tomar nenhuma atitude, pois vou ser comprometida a dar respostas referentes a isso", disse a secretária Francinete.
Luciano Freitag destacou que, embora o direito ao transporte seja reconhecido, é necessário que os usuários cumpram suas obrigações. “Acho que nós, enquanto município e associação, sabemos e reconhecemos o direito do universitário, mas ele tem que compreender que ele também tem alguns compromissos e responsabilidades para poder utilizar o transporte e, se isso fosse bem feito, talvez não precisássemos estar aqui falando sobre isso", declarou.
O representante da Assuma ressaltou que falhas pontuais acabam prejudicando o coletivo. “A gente não está generalizando, porque são alguns, mas infelizmente estes acabam atrapalhando todos os outros. Por exemplo, até que o universitário que não apresenta a carteirinha entenda que ele não pode utilizar o ônibus e desça do transporte, isso vai atrasar todos na chegada para a aula", esclareceu.
A entrevista completa pode ser acessada neste link.
Autor: Departamento de Jornalismo/Vang FM