A segunda metade de junho promete mudar drasticamente a rotina dos gaúchos. Após um início de mês com comportamento atípico no Centro-Sul do país, o inverno deve mostrar sua face mais rigorosa no Rio Grande do Sul. O grande alerta se concentra na Metade Norte do estado, que corre o risco de registrar volumes de chuva excessivos nos próximos dias, seguidos por uma histórica massa de ar polar.
De acordo com a MetSul Meteorologia, o cenário atual ainda sofre os efeitos do El Niño. "O mês até agora tem sido pouco convencional em relação à climatologia histórica no Centro-Sul do Brasil, com precipitação acima a muitíssimo acima das médias", aponta a análise técnica do centro meteorológico.
Enquanto o Brasil Central começa a ingressar em seu período de estiagem, o território gaúcho caminha no sentido oposto. A previsão indica que a instabilidade se concentrará com força sobre os catarinenses, paranaenses e, principalmente, na Metade Norte do Rio Grande do Sul.
Nessas áreas, os acumulados de chuva devem ultrapassar facilmente a marca dos 100 mm até o fim do mês. "A previsão indica que a segunda metade de junho deve ter chuva acima a muito acima da média em grande parte do Centro-Sul do Brasil e mesmo com risco de precipitação excessiva em algumas áreas", adverte a MetSul, destacando que pontos isolados do Norte gaúcho podem registrar volumes ainda maiores do que os projetados inicialmente pelos modelos de computador.
Historicamente, o mês de junho marca uma virada climática no estado, que passa a ser rota frequente de frentes frias, frentes quentes e centros de baixa pressão. Na capital, Porto Alegre, junho já figura como o segundo mês mais chuvoso do ano, com média de 130,4 mm, além de registrar uma temperatura média de $14,8°C$.
Se a chuva preocupa o Norte do estado, o frio promete paralisar o restante do Rio Grande do Sul. A previsão projeta o avanço de duas massas de ar frio consecutivas. A primeira já atua nesta semana, derrubando os termômetros e provocando marcas abaixo da média.
O pico do inverno, contudo, está reservado para a semana seguinte. Os modelos meteorológicos apontam para a chegada de uma segunda incursão de ar polar de forte intensidade.
"Os dados indicam que na semana que vem chega uma segunda incursão de ar polar, que poderia ser mais forte que a de agora e teria o seu pico em torno dos dias 23 e 25, garantindo mais uma sequência de dias de baixa temperatura e as menores temperaturas do ano até o momento no Sul do Brasil", projeta a MetSul.
Com a chegada desse ar polar definitivo, há previsão de geada ampla e queda drástica nas temperaturas noturnas. Em anos com condições favoráveis como este, as áreas mais elevadas da Serra Gaúcha também mantêm o potencial para a ocorrência de neve.
Enquanto o Sul enfrenta o ápice do inverno, o restante do Brasil viverá um cenário de forte contraste térmico. A chuva fora de época que atingiu estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal deve começar a cessar. A tendência para a segunda quinzena nessas regiões é de diminuição da instabilidade, com o retorno do ar seco e a elevação gradual das temperaturas. A segunda e potente massa de ar polar do fim do mês deve conseguir avançar apenas até o Mato Grosso do Sul e São Paulo, provocando declínio de temperatura nessas áreas, mas sem a mesma intensidade do que o esperado para o Rio Grande do Sul.
Informações e imagem: MetSul