As fortes e persistentes chuvas que atingiram Marau e diversos municípios da região entre esta terça-feira (21) e a madrugada de quarta-feira (22) provocaram transtornos severos, elevação expressiva do nível dos rios e alagamentos. A intensidade da precipitação acendeu o sinal de alerta em todo o Norte gaúcho e mobilizou força-tarefa composta pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Voluntários e setores da Prefeitura Municipal para prestar socorro e acolhimento às famílias atingidas.
Na manhã desta quarta-feira (22), a reportagem da Vang ouviu durante o programa Espaço Plural o Coordenador da Defesa Civil de Marau, Flávio Augusto De Conto, que apresentou um panorama das ações no município. Segundo ele, os trabalhos foram estruturados em etapas: “A primeira fase de atuação nossa foi o atendimento da vida humana e a segunda fase, nesta quarta-feira, está sendo o trabalho emergencial para que as pessoas possam ir e vir, além da avaliação de estragos”, pontuou.
Em Marau, o transbordamento de arroios e o acúmulo de água atingiram diversas residências. No Bairro Santa Isabel, cerca de 15 casas tiveram alagamentos e três famílias precisaram deixar seus imóveis. A estrutura do salão do Bairro Rigo foi utilizada como abrigo temporário para acolher três famílias, que puderam retornar às suas residências ainda durante a madrugada após o nível da água baixar. De Conto destacou que o município busca apoio nas diferentes esferas públicas para obter recursos e realocar famílias que vivem em áreas de risco.
Levantamento de ocorrências dos Bombeiros Voluntários
A reportagem da Vang também buscou informações junto ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Marau. Conforme repassado pelo Comandante Paulo Mello, a corporação atuou intensamente em chamados de alagamentos, destelhamentos e desobstaculizações em diversos pontos da cidade:
Danos na infraestrutura e tráfego
O impacto da enxurrada também afetou a trafegabilidade no município. A ponte do Centro Social Urbano chegou a ficar submersa em alguns momentos, mas já teve o tráfego liberado. Na saída para a comunidade de São José dos Ricci, sobre o Arroio Sesteada, parte da estrutura da ponte foi danificada pela força da água e o trecho opera em meia pista, devidamente sinalizado. No interior, diversos pontos das estradas rurais seguem alagados, e as equipes aguardam o recuo das águas para realizar intervenções emergenciais. Diante dos prejuízos, a administração municipal estuda decretar Situação de Emergência para captação de recursos federais.
Chuva acumulada e alerta nos rios
O volume de chuva registrado no município reforça a dimensão do evento meteorológico, segundo dados repassados pela comunidade: Aparecida acumulou 297 mm; Três Cerros registrou 86 mm hoje com acumulado de 283 mm; no Bairro Borges de Medeiros foram 230 mm hoje, somando 274 mm em 48 horas; no Taquari, 259 mm; na Posse Boa Vista e no Santo Agostinho, 250 mm; na comunidade Lamaison, 240 mm acumulados; em São Paulo da Cruz, 100 mm hoje com acumulado de 250 mm; no Carmo, 220 mm; no Loteamento Frei Francisco, 219 mm; e no Cachoeirão, 205 mm.
A grande quantidade de chuva refletiu diretamente nos mananciais do estado. Na manhã desta quarta-feira, a Defesa Civil do Estado emitiu um Alerta de Inundação de Risco Muito Alto para o Rio Taquari, com foco no município de Muçum, onde a água pode atingir a cota crítica de até 20 metros. O aviso permanece válido até às 07h30 de quinta-feira, dia 23 de julho.
Sobre a previsão para as próximas horas, Flávio De Conto destacou que o cenário é de estabilização. “O prognóstico que tínhamos era que nossa região seria atingida mais fortemente na terça-feira. Para esta quarta-feira, a previsão é de chuvisco, garoa ou algo mais pontual. Acreditamos que o pior já passou, mas a orientação é para que as pessoas sigam atentas”, concluiu.
As autoridades orientam que a população evite travessias em trechos alagados e acione os serviços de emergência (193) em qualquer situação de risco.