O caminhoneiro marauense Eduardo Ferlin, de 50 anos, está há 28 dias impedido de seguir viagem em território argentino, próximo à fronteira com o Chile. Motorista de transporte frigorífico, ele saiu de Lajeado, no Vale do Taquari, no dia 13 de julho, com destino a Santiago, no Chile, transportando carne suína. Eduardo está em Uspallata, na província de Mendoza, onde uma intensa nevasca bloqueou a passagem pela Cordilheira dos Andes. A região registra temperaturas de até 5°C negativos, enquanto a estrada permanece fechada devido ao acúmulo de neve e ao risco de avalanches.
Ele contou sobre como têm sido os dias em entrevista à rádio Vang, na manhã desta quinta-feira (13/08). Segundo o motorista, há relatos de que não ocorria uma nevasca dessa proporção há mais de duas décadas. O caminhoneiro chegou à aduana, estrutura que funciona como posto de controle, sabendo que a passagem estava interrompida, porém a expectativa era de que a situação fosse temporária. Atualmente, cerca de 580 caminhões permanecem concentrados no mesmo local onde Eduardo está. Somando outros pontos de retenção, o número ultrapassa mil veículos.
A carga transportada por ele exige cuidados permanentes. O caminhão possui sistema de refrigeração próprio, que precisa permanecer ligado para garantir a conservação da carne. Para isso, os motoristas têm acesso a uma estação de serviço onde conseguem abastecer os veículos com óleo diesel.
A estrutura disponível aos caminhoneiros na aduana inclui banheiro e área de descanso, mas os serviços têm custo. O banho custa cerca de R$ 17, enquanto o uso do banheiro fica em aproximadamente R$ 5. “Por enquanto estamos conseguindo nos manter, tem um mercado há 10 km atrás para fazer compras quando necessário”, relata Eduardo. O abastecimento de água e alimentação também conta com apoio das autoridades argentinas.
“Não se sabe o que vai acontecer, quando isso vai terminar”
A rotina, entretanto, é marcada pela espera e pelas condições climáticas adversas. Quando o sol aparece, Eduardo sai do caminhão para conversar com outros profissionais e tomar chimarrão. Com a mudança do tempo e a chegada do vento, ele precisa retornar ao veículo.
“Na minha jornada de quase 30 anos de estrada, é a primeira vez que me deparo numa situação de vários dias ao extremo, não tem um dia que não amanheça em situação de temperatura negativa. Isso nos traz uma sensação de impotência, não se sabe o que vai acontecer, quando isso vai terminar”, afirma.
A permanência prolongada também afeta a programação da viagem. Segundo ele, a companhia mantém contato e oferece suporte, mas não há possibilidade de tomar uma decisão independente sobre o retorno. Caso a orientação para retornar seja autorizada, o motorista poderá iniciar a viagem de volta. Seguir em direção ao Chile, contudo, continua inviável enquanto a passagem permanecer bloqueada.
Ainda não há uma previsão definitiva para a normalização do tráfego. Informações recebidas pelos motoristas indicam a possibilidade de liberação a partir do dia 21, mas a medida depende das condições climáticas.
“Fazem 13 anos que vou para o Chile a trabalho como caminhoneiro, já aconteceu de ficar parado no mesmo local por dois ou três dias, mas nem se compara com o que acontece agora”, conta ele.
Eduardo mantém contato diário com a família e afirma que, neste momento, não há uma situação de perigo imediato para os caminhoneiros. O maior desgaste, segundo ele, está relacionado à permanência por quase um mês no mesmo lugar, sem uma previsão concreta para o fim da retenção.
A entrevista completa pode ser conferida neste link.
Autor: Departamento de Jornalismo/Vang FM