Principal 02/04/2026

Autismo: mulheres são as principais cuidadoras, revela pesquisa

Mapa produzido por ONG diz que diagnóstico tem ocorrido mais cedo


Com o objetivo de traçar um panorama detalhado sobre a realidade das famílias e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Instituto Autismos apresenta os resultados do Mapa do Autismo no Brasil. O levantamento inédito, realizado com 23.632 participantes de todos os estados, surge para preencher uma lacuna de dados oficiais e fundamentar novas políticas públicas. A pesquisa detalha desde o avanço na identificação precoce até o impacto financeiro e social sobre os cuidadores, servindo como base para recomendações que serão entregues aos governos federal e estaduais.

Diagnóstico precoce e custos terapêuticos

Os dados indicam um avanço significativo na saúde brasileira: a idade média do diagnóstico no país estabilizou em 4 anos, alcançando o padrão internacional. Segundo a organização, a detecção precoce é o principal fator para a eficácia do tratamento e para a garantia de direitos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Apesar do avanço clínico, o fator financeiro permanece um desafio. A pesquisa aponta que as famílias gastam, em média, mais de R$ 1.000,00 mensais com terapias especializadas. Enquanto as regiões Norte e Nordeste apresentam maior dependência da estrutura pública (SUS), o restante do país utiliza majoritariamente planos de saúde para custear as intervenções necessárias.

Perfil social e investimentos públicos

O mapeamento também expõe a face social do autismo no Brasil: a sobrecarga do cuidado é predominantemente feminina. Grande parte das mães e cuidadoras está fora do mercado de trabalho para dedicar-se exclusivamente ao suporte dos filhos. No cenário nacional, o IBGE estima que existam cerca de 2,4 milhões de autistas.

Em resposta aos desafios de atendimento, o governo federal anunciou o investimento de R$ 83 milhões para a ampliação da rede de assistência. O aporte será destinado à habilitação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e oficinas ortopédicas. O objetivo é fortalecer a linha de cuidado desde a atenção primária até o atendimento multidisciplinar especializado.

Informações: Agência Brasil / Foto: Freepik

Link da notícia: https://www.vangfm.com.br/noticia/autismo--mulheres-sao-as-principais-cuidadoras--revela-pesquisa/44934
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