O ano de 2026 começou com um tema que voltou a ganhar forte repercussão no debate público: o feminicídio. O aumento de casos de mortes de mulheres no Brasil, especialmente em situações de violência doméstica, tem acendido um alerta e mobilizado diferentes setores da sociedade em ações de conscientização e enfrentamento à violência de gênero. A discussão também tem sido marcada pelo combate a discursos e movimentos considerados misóginos, que deslegitimam a luta histórica pelos direitos das mulheres e reforçam estereótipos de gênero.
Para abordar essa realidade no âmbito local, o comandante da Brigada Militar de Marau, do 3º Esquadrão, capitão Rudimar Aires, participou na manhã desta sexta-feira (06) do programa Espaço Plural, da Vang FM. Durante a entrevista, ele apresentou dados relacionados à violência doméstica no município e falou sobre as ações desenvolvidas pela corporação para o enfrentamento desse tipo de crime.
Entre as iniciativas destacadas está a Patrulha Maria da Penha, programa da Brigada Militar voltado ao acompanhamento e à proteção de mulheres com medidas protetivas, buscando prevenir novas agressões no contexto de violência doméstica e familiar.
O capitão também reforçou a importância dos canais de denúncia e explicou aspectos relacionados às medidas protetivas e aos diferentes tipos de violência contra a mulher. Durante a entrevista, ele mencionou ainda o chamado “violentômetro”, ferramenta que ajuda a identificar sinais iniciais de comportamentos abusivos, como piadas ofensivas, ciúmes excessivos, ofensas, controle, intimidações, ameaças e abuso sexual.
Em relação aos dados locais, a Brigada Militar registrou, em 2025, 267 ocorrências de violência doméstica em Marau. Entre os casos atendidos estão um feminicídio consumado, 145 ocorrências de ameaça, seis estupros e 115 casos de lesão corporal.
Nos dois primeiros meses do ano, os números também chamam atenção. Em janeiro e fevereiro de 2025 foram 60 registros, enquanto no mesmo período de 2026 foram 59 ocorrências, o que demonstra estabilidade nos índices, com redução de apenas um caso.
No âmbito estadual, os dados apresentados indicam que o Rio Grande do Sul registrou 52.711 casos de violência doméstica em 2025. Entre eles estão 264 feminicídios tentados, 80 feminicídios consumados, 31.558 ameaças, 2.354 estupros e 18.455 casos de lesão corporal.
Em nível nacional, os números também evidenciam a gravidade do problema. Em 2025, o DataSenado estimou que cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar. O levantamento aponta ainda que em 71% dos casos de agressão havia crianças presentes no ambiente, o que amplia os impactos sociais desse tipo de violência. No mesmo período, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, intensificando o alerta sobre a necessidade de prevenção, denúncia e fortalecimento das políticas de proteção às mulheres.
Durante a entrevista, o comandante assegurou que denunciar é fundamental para interromper ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas. Assista a entrevista completa aqui.
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